Você decidiu (me) partir 3 (haicai)

Então me pergunto, eu
A distração descartável
Então me pergunto

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Música ruim traduzida do inglês que eu nunca vou usar no 1

Você fez questão de me empurrar pra tão longe
Que mesmo as paralelas do mapa já não impulsionam qualquer caminho

Eu tentei salvar cada referência obtusa por essas bandas
Pra resgatar familiaridades ao longo do tempo

Mas você fez questão de demolir as casas e derrubar as árvores e levantar enormes muros e paredes

Mesmo que eu queira
Não consigo mais voltar
Me perdi faz tempo
E você fez tanta questão de me perder
Que finalmente fez efeito

Você fez tanta questão de mentir
Que finalmente fez efeito

Você fez tanta questão de trair
Que finalmente fez efeito

Você fez tanta questão de me abandonar
Que realmente fez efeito

Pedaço

Alguma coisa
se partiu

e partiu

Indefinidamente

Uma parte de essência
Escorrendo sem volta e sem vontade
pelas beiradas

Uma coisa motriz
Coisa-funcionamento

Uma coisa inflamável
Mórbida
Encharcada

Sem fôlego
Sem coisa
Sem nada.

Melancolia

A tristeza parece ser uma vingança da carne

Uma fumaça que a gente cospe pelos poros e faz queimar a pele

Assim que entra em contato com a atmosfera

É um reflexo distorcido do tempo

De onde se mergulha de boca aberta, calça, camisa, olhos escancarados

Onde semanas duram um dia e um dia dura um mês

E a massa infinita da desesperança produz uma gravidade artificial que segura toda força de grito que fica preso na garganta

Um tumor-berro

Um nó mais apertado do que a gravata no pescoço e no box do banheiro

Por onde as chaminés de coisas obtusas se disfarçam de alucinações

E a água transborda por entre os dedos e contamina de pureza os pêlos e o chão

E é aí que a penumbra transborda por debaixo da porta e a sombra se desfaz por entre as frestas

Quando as linhas mais ou menos retas coagulam a nova velha miséria

Quando o cigarro molhado já não faz diferença

E o gás do fogão acabou só de esperar pela minha cabeça

E brotou qualquer coisa reprovável do silencio que não a crosta muda da ruína

Pânico perpendicular desabando pelas beiradas

Devorando o papelão das caixas e as traças das paginas

O sussurro do corpo murcho serpenteando por debaixo da toalha

O banho de mágoas e as roupas sem passar

A louça secando no escorredor

O carro cortando na frente

A vida tão sem vida.

Quando me encontrarem

Não se culpe quando eu me firmar pelo pescoço

Mergulhado na atmosfera estática

Ou respirar fundo a fumaça do escapamento do carro

Um sono cruel e gentil, meu corpo tal qual uma aranha despedaçada

Seja pendurada pela teia

Ou escondida entre a lataria 

E a própria carcaça.