Música ruim traduzida do inglês que eu nunca vou usar no 1

Você fez questão de me empurrar pra tão longe
Que mesmo as paralelas do mapa já não impulsionam qualquer caminho

Eu tentei salvar cada referência obtusa por essas bandas
Pra resgatar familiaridades ao longo do tempo

Mas você fez questão de demolir as casas e derrubar as árvores e levantar enormes muros e paredes

Mesmo que eu queira
Não consigo mais voltar
Me perdi faz tempo
E você fez tanta questão de me perder
Que finalmente fez efeito

Você fez tanta questão de mentir
Que finalmente fez efeito

Você fez tanta questão de trair
Que finalmente fez efeito

Você fez tanta questão de me abandonar
Que realmente fez efeito

Pedaço

Alguma coisa
se partiu

e partiu

Indefinidamente

Uma parte de essência
Escorrendo sem volta e sem vontade
pelas beiradas

Uma coisa motriz
Coisa-funcionamento

Uma coisa inflamável
Mórbida
Encharcada

Sem fôlego
Sem coisa
Sem nada.

Melancolia

A tristeza parece ser uma vingança da carne

Uma fumaça que a gente cospe pelos poros e faz queimar a pele

Assim que entra em contato com a atmosfera

É um reflexo distorcido do tempo

De onde se mergulha de boca aberta, calça, camisa, olhos escancarados

Onde semanas duram um dia e um dia dura um mês

E a massa infinita da desesperança produz uma gravidade artificial que segura toda força de grito que fica preso na garganta

Um tumor-berro

Um nó mais apertado do que a gravata no pescoço e no box do banheiro

Por onde as chaminés de coisas obtusas se disfarçam de alucinações

E a água transborda por entre os dedos e contamina de pureza os pêlos e o chão

E é aí que a penumbra transborda por debaixo da porta e a sombra se desfaz por entre as frestas

Quando as linhas mais ou menos retas coagulam a nova velha miséria

Quando o cigarro molhado já não faz diferença

E o gás do fogão acabou só de esperar pela minha cabeça

E brotou qualquer coisa reprovável do silencio que não a crosta muda da ruína

Pânico perpendicular desabando pelas beiradas

Devorando o papelão das caixas e as traças das paginas

O sussurro do corpo murcho serpenteando por debaixo da toalha

O banho de mágoas e as roupas sem passar

A louça secando no escorredor

O carro cortando na frente

A vida tão sem vida.

Quando me encontrarem

Não se culpe quando eu me firmar pelo pescoço

Mergulhado na atmosfera estática

Ou respirar fundo a fumaça do escapamento do carro

Um sono cruel e gentil, meu corpo tal qual uma aranha despedaçada

Seja pendurada pela teia

Ou escondida entre a lataria 

E a própria carcaça.

Finalidade

A solidão rasteja por debaixo dos móveis
Contamina a pele como um líquido aderente
Não há luz por debaixo da porta, nem por dentro dos olhos

Viver não é viver

E o aquário de petúnias de plástico permanece imóvel
Alguém colocou um pano molhado nas caixas de som do mundo
As paredes de vidro são tão foscas que distorcem até mesmo o silêncio dos passos

Só o cinto amarrado no pescoço
Sussurra um amor desesperado e leve
Um caco de realidade contra a carne
Rasgando em coágulos escuros

Há uma coletânea de cartas e bilhetes escritas e apagadas
Há uma sobrevivência sintética da visão borrada contra o ralo
Há um suspiro decepcionado em cada abrir de olhos

Prendo a respiração
Esperando que ela nunca mais saia
E que o peso contagioso dos meus pensamentos

Me afunde contra o assoalho

Moldando meu corpo aos buracos do asfalto
às linhas entre os pisos rachados

Que o monóxido de carbono me beije profundamente
Que meus músculos virem água
Transbordando furiosamente rio abaixo

Num mar desesperado
Onde nadam minhas criaturas aquáticas

Onde mergulho meu fôlego
Onde preciso me perder indefinidamente

Sem nada
Sem arrependimento.