Categoria: Poesia

Eyes

Her eyes were almost impossible
but yet there

Like a purple sunset from the desert

a crude and beautiful pattern of no pattern

Where every other eye is sucked into until lost

Even if for a single moment
Even if for the eternity

As clouds of uncertainty drift along the pale sands of her cheeks

And from the darkness within comes a surprisingly bright sky.

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Saudade (ou: Mensagem não enviada)

Eu não posso
Não consigo

E até minha vontade se partiu
no ponto mais fundamental

As antenas captam frequências distantes e perpendiculares
O silêncio se dispersa em outra língua

Como se a ausência também fosse palavra
Além de ruído

Gostaria de que coisas como te resgatar do evento no teatro pra te levar pra pizzaria

Gostaria de que te tirar do meio da aula pra rodar quilômetros ouvindo sua voz abafada de dor de cabeça

Gostaria de que rir na praia no fim da tarde com o mar indo embora com o sol apagado

Que nada dessas coisas fosse um eco melancólico pra me lembrar de que estou sozinho

Que o tempo fosse reversível e até que eu fosse outra pessoa

Qualquer pessoa menos eu

Gostaria que os planos mais absurdos por mais que permanecessem enquanto planos pudessem receber a aura da dúvida e da futura realização

Que os livros tivessem as palavras certas
Que as placas tivessem as palavras certas
Que eu tivesse as palavras certas

Os cadernos estão se esgotando
E meus sonhos desbotados com árvores amarelas e América do Sul estão se desfazendo junto das traças devoradas pelos anos

Que devoraram minhas péssimas poesias

Gostaria de ter a escolha de trocar a leitura que eu consegui nos seus traços

Por você

Gostaria que você não tivesse mentido
Que eu tivesse valido a pena
Que o carro desse partida
Que nunca mais parasse de chover pelo resto da vida

Mesmo que da minha

Pra terminar semana que vem

Gostaria não ser a sonda de pele fria cheia de mensagens vazias

Lançada contra o nada rasgando o espaço, rasgando a carne, rasgando tudo que nunca vai ser

Gostaria de ser o mago nos arcanos impossíveis
E não o louco
O bobo
A morte inclinada no espelho

A ausência

E eu que amei tanto ser outra coisa que não o nada

E eu que te amei tanto sendo um universo perdido no tempo

Corroendo semanas e meses

Você se distanciando 

Tudo indo embora

A visão ficando escura

O escuro esvaziando

Todos os dias

Todos os dias.

Sputnik

Lançado da propulsão da minha carne débil

A pele fria contra o espaço vazio
E vazio por fora também

O silêncio contra as coisas no espelho
E eu me arrependo

Enquanto cruzo o espaço sozinho
Sem nada ao longo do caminho

Além do detrito dos meus passos sem pés

Uma sonda sem sinal em direção ao próprio fim

A toalha e o cinto amarrados no pescoço

A toalha e o cinto segurando o fim do mundo
Perdido dentre velhas histórias
E pressentimentos absurdos

Sem combustível
Sem destino
Sem futuro

Perdendo o ar na reentrada
Mesmo sem retorno
Sem ter pra onde voltar

Lançado mais uma vez ao espaço
Obrigado

Obrigado,
Lê-se na lataria

“Obrigado
por me expulsar”.

Obrigado.