Sputnik


Lançado da propulsão da minha carne débil

A pele fria contra o espaço vazio
E vazio por fora também

O silêncio contra as coisas no espelho
E eu me arrependo

Enquanto cruzo o espaço sozinho
Sem nada ao longo do caminho

Além do detrito dos meus passos sem pés

Uma sonda sem sinal em direção ao próprio fim

A toalha e o cinto amarrados no pescoço

A toalha e o cinto segurando o fim do mundo
Perdido dentre velhas histórias
E pressentimentos absurdos

Sem combustível
Sem destino
Sem futuro

Perdendo o ar na reentrada
Mesmo sem retorno
Sem ter pra onde voltar

Lançado mais uma vez ao espaço
Obrigado

Obrigado,
Lê-se na lataria

“Obrigado
por me expulsar”.

Obrigado.

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