O casarão e o campo 


Te sinto ao longe

Tão distante que meus olhos já não te veem 

Na borda de onde as linhas se tornam perspectivas convergentes em um ponto rumo a um falso infinito visual, ofuscando quem ou o que se aproxima

E o que me resta é sentir sua distância

Uma distancia que meus braços não alcançam e minhas pernas não dão mais conta 

Uma substituição pelo que vale a pena, milhas ao longo do caminho

Como se a miragem do passado fosse um eco não resolvido do presente 

Que continua soando junto das cigarras na grama alta e nas mariposas se chocando contra a luz amarela superaquecida na varanda

O apito da surdez que vem depois da explosão 

Depois de anos em meses 

E do esquecimento em dias

Porque as palavras já não alcançam o outro lado da rua

E, perdido, o sentimento poderia atravessar o mundo sem nunca se encontrar

Que assim como eu

Não consegue achar caminho, e nem se encontrar

Distante como fantasmas apagados de medos paralisantes

O rastro do vulto do relógio

Respiração fraca debaixo do chuveiro

Essas coisas que se chocam por dentro contra o peito

Inacabado, como o casarão abandonado ao longo do campo.

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